Christophe Lèguevaques, avocat au barreau de Paris, docteur en droit, s’est spécialisé ces dernières années dans le droit des catastrophes et les risques collectifs. Il intervient notamment dans les dossiers de l’accident d’un avion d’Air Vietnam, de la sur-irradiation du CHU de Toulouse et de l’accident d’AZF. Il nous livre le fruit de son expérience. Dans ce genre de catastrophe, il faut respecter trois temps forts. Le premier est celui du deuil des familles. Elles sont sous le choc. La mort et la disparition d’êtres chers n’étaient pas prévisibles comme en présence d’une longue maladie. Pour cela, les familles ont besoin de se recueillir et de se réunir. La création d’une ou plusieurs association(s) est indispensable pour entretenir le souvenir, créer des liens nouveaux et affronter la dureté de la situation. L’association des victimes doit ensuite se coordonner avec des associations préexistantes, telles que la FENVAC-SOS catastrophe. En effet, plus que jamais, face à ce drame, l’union fait la force. Et il faudra être uni pour faire face aux difficultés nombreuses qui attendent les familles. Le deuxième temps est le temps de l’enquête ou plutôt de la contre-enquête. Comment cela a-t-il pu arriver ? Que s’est-il réellement passé lors du vol AF 447 ? Le BEA (Bureau enquête accident) et le parquet de Paris pour les autorités françaises sont à l’œuvre. Il en ira de même de la part des institutions brésiliennes. De leur coté, Air France et Airbus mènent leur propre enquête et mobilisent leurs experts. Ils sont en embuscade pour préparer leur défense avec leurs avocats déjà mobilisés. Nous devons tirer les enseignements du procès AZF. En effet, nous avons bien vu l’importance des expertises judiciaires ou privées financées par le groupe industriel mis en cause. Les victimes étant fort démunies face à ces questions techniques qui peuvent diviser (erreur de pilotage, impact d’un éclair sur un avion, fallait-il laisser partir un avion dans de telles conditions météorologiques ?), les victimes sont obligées de faire confiance aux experts judiciaires. C’est pourquoi, j’invite les victimes à créer un collège d’experts indépendants qui pourra analyser les éléments des enquêtes officielles, procéder à des recoupements, critiquer le travail des uns et des autres pour avancer sur la difficile voie de la recherche de la vérité. C’est le seul moyen d’établir une égalité des armes, indispensables à la défense des victimes. Enfin, troisième et dernier acte, qui peut se jouer sans attendre le résultat de l’enquête, il faut prévoir la juste indemnisation des victimes. Là encore, l’expérience acquise dans les dossiers de catastrophes nous apporte deux enseignements : - d’abord, pour éviter une profusion des procédures judiciaires et des disparités de traitement entre les juridictions françaises et brésiliennes, il est recommandé de créer une commission d’indemnisation internationale. Cette commission doit indemniser les victimes sans attendre le résultat de l’enquête. Les assureurs payent au « bénéfice de qui il appartiendra », c'est-à-dire qu’ils pourront se retourner le moment venu contre les responsables au terme d’une harassante et longue procédure. Ainsi, le risque du procès est transféré des victimes aux assureurs. La durée de ces procédures est exceptionnellement longue, plus de 17 ans dans le dossier du Mont Saint Odile. Il n’est pas question de faire supporter cette situation aux victimes. - Ensuite, cette indemnisation doit être fixée de manière loyale et équitable. Il n’est pas question que les victimes, égales devant la mort, supportent des discriminations suivant leur nationalité ou suivant leur position dans l’avion (classe business contre classe économique).
“CATÁSTROFE AÉREA RIO / PARIS, DEVEMOS TIRAR LIÇÕES DO PROCESSO DA AZF”
Christophe Lèguevaques, da Ordem dos Advogados de Paris (Barreau de Paris) e doutor em Direito, tem se especializado nos últimos anos em direito de catástrofes e riscos coletivos.
Interveio particularmente na ocorrência de um acidente com um avião da Vietnam Air,
no excesso de radiação do CHU (Centro Hospitalar Universitário) de Toulouse (*) e no acidente da AZF (**).
Ele nos oferece o fruto da sua experiência.
Neste tipo de catástrofe, deve-se respeitar três momentos importantes. em choque. A
O primeiro é o luto das famílias. Elas estão
O segundo tempo é o tempo da investigação ou melhor, da contra-investigação. Como é que isso pôde acontecer? O que foi que realmente aconteceu durante o voo AF 447? A BEA (Instituto de Pesquisa e Análise de Acidentes) e o Ministério Público de Paris para as autoridades francesas estão trabalhando. As instituições brasileiras também. Do seu lado, a Air France e a Airbus conduzem a sua própria investigação e mobilizam os seus peritos. Eles estão de sobreaviso para preparar sua defesa, com seus advogados já mobilizados. Temos de tirar lições do processo da AZF. Na verdade, temos visto a importância dos peritos judiciais ou privados, financiados pelo grupo industrial em questão. As
(*) Overdose de radiação em Toulouse: após a instalação de uma máquina de rádiocirurgia estereotáxica no Centro Hospitalar de Toulouse, 145 pessoas recebem grandes overdoses. Os juízes de instrução do Polo de Saúde de Paris dirigem a investigação. Neste caso, o doutor Lèguevaques representa 80 das 145 vítimas.
(**) Desastre em AZF: foi a maior catástrofe industrial da França no século XX. 32 mortos, milhares de feridos, 3 milhões de indenização. A fábrica AZF pertencia à empresa Grande Paroisse (uma subsidiária de TOTAL). A ação está pendente no tribunal de Toulouse. Neste caso, o Me Lèguevaques representa a cidade de Toulouse.
É por isto que exorto às vítimas a criar um painel de peritos independentes, que irá analisar os elementos da investigação formal, comparar e cotejar, criticar o trabalho uns dos outros, para avançar no difícil caminho da busca da verdade. Esta é a única forma de estabelecer uma igualdade de armas, crucial para a defesa das vítimas.
Finalmente, o terceiro e último ato, que pode ser reproduzido sem aguardar o resultado do inquérito: é necessário prever uma compensação justa para as vítimas. Novamente, a experiência adquirida na participação da representações de desastres nos traz duas lições:
- Em primeiro lugar, para evitar uma profusão de processos judiciais, e a disparidade de tratamento entre brasileiros e franceses nos tribunais, é recomendável criar uma comissão internacional de indenização. Esta comissão deve compensar as vítimas, sem esperar pelo resultado do inquérito. As seguradoras pagam ao "benefício de quem corresponder", e no devido tempo, podem se voltar contra os responsáveis após um processo longo e cansativo. Assim, o risco será transferido da vítima para as seguradoras. A duração destes procedimentos é excepcionalmente longa, mais de 17 anos no processo del Mont Saint Odile. Não é justo fazer com que as vítimas sustentem esta situação.
- Além disso, a compensação deve ser fixada de modo justo e equitativo. Não é questão de que as vítimas, iguais perante a morte, sejam discriminadas pela sua nacionalidade ou pela sua posição no avião (a classe executiva contra a classe econômica).
* *
*

Commentaires